Sabemos, desde crianças, que o Deus soberano nos conhece desde antes de nascermos, que Deus sabe quantos fios de cabelo há em nossas cabeças, que Deus nos conhece intimamente e que Deus cuida de nós tal qual um Pai cuida de seu filho recém-nascido.
Agora, trago um questionamento a vocês: Deus nos aceita, Deus nos conhece e Deus nos tem como seus filhos. Abrindo a Bíblia no Evangelho de Mateus, nós temos a seguinte exortação: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”.
Mas cansados de quê? E por quê?
Sabemos que o mundo jaz no maligno, que estamos diariamente cobertos das piores e mais sutis tentações. O pecado se tornou algo do nosso dia a dia. Temos nossos pecados aceitáveis (aquilo que sabemos que é errado, mas escolhemos passar um pano rosa com glitter). Muitas vezes, passamos a ter nossos pecados como algo aceito, passamos a ter nossa consciência abafada e, quando somos confrontados, pensamos: será que, mesmo com meus pecados, Cristo ainda me enxerga? Cristo ainda me espera? Cristo ainda me receberia de braços abertos?
Passamos a ver nossos pecados como nossos traços de personalidade. Afinal, quem não é orgulhoso? Quem não gosta de uma “fofoquinha”? Passamos a pensar: “Como Cristo diz que me aceita se Ele pede para eu mudar o que já é algo automático, algo que representa o meu ser?” Afinal, quem não é conhecido por ser chorão demais? Ou explosivo demais?
Como sou visível a esse Pai misericordioso e como esse Pai misericordioso me aceita como eu sou, se diariamente eu preciso morrer para o eu e viver para Ele?
Cristo nos diz, no Evangelho de João: “O que vem a mim, de modo nenhum lançarei fora”. Ora, se Cristo me aceita, por que mudar?
Em Romanos 12:2, temos o seguinte convite: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
O salmista Davi afirma que, no ventre de nossas mães, fomos gerados em pecado. O apóstolo Paulo nos exorta a não nos conformarmos com este século. Acredito que muitos aqui conheçam a história da mulher pega em adultério. Todos os fariseus estavam prontos a condená-la e apedrejá-la, porém Cristo, em sua misericórdia e sabedoria, disse: “Aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra”.
Obviamente, nenhuma pedra foi lançada e, no momento seguinte, quando Ele pergunta à mulher: “Onde estão seus acusadores?”, e ela fala que nenhum estava ali para condená-la, Jesus cita uma das mais belas frases do Novo Testamento: “Eu também não te condeno; vá e não peques mais”.
Ok, mas o que eu quero dizer com isso?
Ninguém é invisível para Deus. Somos todos seus filhos. Porém, o profeta Isaías disse o seguinte: “As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus”.
Os nossos pecados são responsáveis por nos separarmos de Deus. Imaginem e pensem nas guerras, doenças, fome e desgraças que assolam o nosso mundo. Elas têm um motivo apenas: o pecado.
O pecado nos afasta de Cristo. Sem a graça de Cristo, nosso destino é a morte, porém temos o dom gratuito de Deus, que é a vida eterna.
Quando conhecemos uma pessoa nova, começamos a adquirir hábitos dela, começamos a ficar parecidos com ela, e acontece o mesmo processo quando começamos a nos aproximar de Deus. Como queremos continuar com o pecado se estamos próximos de quem não tem pecado algum?
Lembro-me da frase de Calvino, na qual ele afirma que tudo de bom que vemos nele é Cristo, e tudo de ruim que vemos nele é ele mesmo.
A partir do momento que, como cristãos, nos entregamos ao poder maravilhoso, à maior prova de amor da humanidade, que é a graça de Cristo, passamos a ser, como diz o texto de Gálatas 2:20, crucificados com Cristo e, logo, não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim. E esse viver é pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou para que eu tivesse redenção.
Cristo não quer robôs que sigam as suas ordens por medo. Cristo quer filhos que reconheçam que estar com Ele é abdicar das coisas do mundo, é abdicar das coisas que nossa carne ama, mas que estão nos tirando do reino dos céus.
A partir do momento em que temos uma relação com Cristo, tudo o que perdemos não é nossa identidade; é o pecado, a inveja, o ódio, o rancor e a promiscuidade que habitavam em nossos corações.
Cristo transforma o pecado em amor, e é nosso dever reconhecer, abraçar esse amor e levar esse amor a outras pessoas.
Afinal, o que é o evangelho senão um mendigo mostrando a outro onde encontrar o pão?
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