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Inspiração

De fé em fé

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Romanos 1: 16 e 17: Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá pela fé.

Com grande alegria, estou escrevendo a vocês. Louvo a Deus pela oportunidade de ouvir a sua voz e de poder transmiti-la e também pela vida de cada um que se encontra como destinatário dessas palavras. Desejo, sinceramente, que essa mensagem chegue até o seu coração com a mesma intensidade que chegou ao meu. Que o Senhor nos abençoe!

A mensagem de hoje se inicia juntamente ao capítulo 2 do livro de Marcos, dos versos 1 ao 5 que dizem:

E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa. E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra. E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados. – Marcos 2:1-5

É uma passagem muito bonita, onde poderíamos tirar inúmeras lições. Entretanto, destaquemos a fé e os sujeitos, que serão o principal assunto da nossa conversa. E antes, ainda de começarmos a discutir a ligação desse texto com a aplicação na nossa realidade, vamos falar sobre a fé e suas definições.

Para o latim, fé deriva da palavra fides, que corresponde a: lealdade, compromisso e honestidade; No grego, a origem do vocábulo se dá por pistis, que, por sua vez, tinha o seu significado relacionado a confiança e a envolvimento pessoal; Enquanto a língua hebraica traz como sinônimos emunah e amen, que significam firmeza, constância e apoio.

Notem que nenhuma dessas correspondências se tratam de verbos ou de ações, são apenas substantivos. E percebam que todos esses substantivos, por abstratos que sejam, apenas são encontrados em cenários que ilustram um relacionamento (qualquer) entre, no mínimo, duas pessoas. Lealdade, confiança, apoio… são “coisas” que só existem se alguém as direciona para outra pessoa, dentro da esfera espiritual. Se partimos do ponto em que fé são todos esses signos, concluímos que não existe fé em um ser isolado (no sentido individual da palavra), mas passa a existir simultaneamente com a criação de um vínculo – de alguém para alguém.

No cenário em que estamos, eu e você já firmamos a noção de que a nossa fé está em Jesus Cristo, nosso Senhor. Segue-se, então o raciocínio:

MINHA FÉ ESTÁ EM CRISTO  —  FUI CRIADA POR CRISTO

LOGO:

MINHA FÉ SE ORIGINA EM CRISTO E É DESTINADA A CRISTO

POR QUÊ?

A resposta está em Efésios 2:8.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. – Efésios 2:8

Porque a fé é dom de Deus. Ou seja, nós temos/recebemos fé em Deus quando aceitamos o relacionamento, o compromisso e o envolvimento pessoal com Ele.

Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio […] Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. – Efésios 2:10-14 e 18

Quando falamos de Jesus, desde o mais novo até o mais velho, todos O relacionamos ao amor. Afinal, foi por amor que Ele fez tudo que fez – e o que continua fazendo – por nós. De todos os vocativos que costumamos chamá-lo, Amigo é o meu favorito. Foi na amizade de Cristo em que encontrei o maior sentimento de pertencimento e reafirmo isso com o texto de João 15 e Provérbios 18:

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. – João 15:12,13

[…] mas há amigo mais chegado do que um irmão – Provérbios 18:24

Mas devo ser honesta, como nós temos desvirtuado esse último texto! É claro que temos um amigo que é mais próximo que o outro, em que a conexão simplesmente é diferente e não há nada de errado nisso, inclusive, é muito importante que tenhamos amigos próximos. E vamos falar disso adiante. O problema acontece quando a gente se fecha. Essa é a grande diferença entre um grupo de amigos próximos e a chamada “panelinha”.

Essa última, definitivamente, não é cristã e não deveria ser tão comum e normal no nosso meio. Como cristãos, se fechar para si mesmo ou entre amigos, dificultando a participação de outras pessoas não é uma opção! Jesus tinha amigos mais chegados, mas nunca virou as costas para ninguém, nunca impediu que alguém O acompanhasse. Se nós carregamos o Seu Nome ao nos entitularizarmos cristãos, não deveríamos agir como Ele? Sendo acessíveis e nos conectando com aqueles que entramos em contato?

Hoje, nós fazemos amizades e criamos vínculos com uma base contrária à fé: o interesse. Fazemos tudo o tempo todo para receber alguma coisa no final. Resultados, reconhecimento, reciprocidade, a chance de poder cobrar um favor. Nós, seres humanos somos tão fofinhos que damos até um nome bonito para esse circo: networking, a pura romantização das relações cheias de interesses.

Juntamente com o networking, vem o marketing. E nossa! Nós compramos o marketing do mundo muito fácil. As propagandas do mundo gritam o tempo todo “viva para você”, “cuide de você”, “ninguém vai fazer por você”, “no final das contas, é você por sua conta”, “não abra mão de nada por ninguém” e etc. Virou o nosso estilo de vida. É sempre sobre o que eu sei, o que eu quero, o que eu penso e o que eu vivo.

Nós vivemos assim: nós vivemos ignorando uns aos outros e precisamos parar com isso agora! Não é semana que vem, quando estivermos paralíticos e precisando que alguém nos carregue, não é daqui a pouco. É agora. Eu preciso começar a abaixar a cabeça, ser mais humilde, mais sensível às pessoas que estão ao meu redor. Preciso começar a enxergar as pessoas de verdade. Convenhamos, ser visto é muito bom! É um sentimento tão feliz saber que existem pessoas que te entendem, te reconhecem e que se importam com as suas necessidades. Mas por que não somos essas pessoas?

Por que não nos importamos com o que está acontecendo ao nosso redor? Por que não fazemos o impossível pelos outros? E você pode dizer: “Evelyn, como que eu vou fazer o impossível por outra pessoa se eu mal estou resolvendo os meus próprios problemas?”, mas é exatamente aí que existe a verdadeira questão. As questões, no plural.

A primeira, sobre o impossível: sabe o que era o impossível para aquele homem paralítico? Subir no teto de uma casa e ser curado por Jesus. Não há relatos sobre quem arquitetou esse plano ou sobre quem manifestou a vontade de chegar até o Mestre, não sabemos se o homem doente pediu aos seus amigos que o levassem e não sabemos se foram os amigos que decidiram ajudá-lo. O que sabemos é: deu certo, o paralítico recebeu o milagre e os quatro amigos tiveram de testemunhar.

Pode ser que o impossível para o outro seja algo realmente estrondoso e notável, em que caberia apenas a mão poderosa de Deus para realizá-lo. Mas e se o impossível for muito mais simples do que se imagina? Uma oração para quem não acha que pode orar, um abraço seguido de um “eu te entendo”, um convite para tomar um sorvete ou para almoçar na sua casa, uma música que você envia. São gestos tão singelos, mas que possuem tamanho suficiente para caber na necessidade do seu amigo. Você só vai saber como ajudá-lo se você se disponibilizar a ouvi-lo, se você se tornar sensível às dificuldades dele.

Enquanto isso, sobre a segunda questão relacionada aos seus próprios problemas, me diga, quantas dessas questões você será capaz de levar para o céu contigo? Não estou menosprezando os dramas que todos nós enfrentamos e muito menos dizendo que devemos ser relapsos às nossas responsabilidades. Contudo, não tenho certeza de que se eu viver preocupada com a minha vida financeira ou com o meu trabalho, por exemplo, vou conseguir levar a satisfação de tê-los resolvidos para o céu. Sabe, de tudo que temos e vemos aqui nesse mundo, as pessoas são a única coisa que podemos levar para o céu conosco.

Então, por que nós não passamos mais tempo preocupados uns com os outros? Se eu só posso levar vocês comigo, por que eu não me importo com vocês? Entende? Onde está o sentido? Será que é esse vazio mesmo que eu pretendo carregar para o resto da minha vida? Sinceramente, não é o meu objetivo.

Frequentemente, nós costumamos pensar também que ninguém entende o que a gente passa e que a gente precisa lidar com os nossos problemas sozinhos. O inimigo foi bem inteligente quando nos ensinou a pensar assim. É aí, exatamente aí, em que muitos desistem da fé, dos ministérios, dos propósitos e, infelizmente, alguns desistem até da própria vida. Queridos, não fomos feitos para vivermos sozinhos. Além de contemplarmos a presença de Cristo a todo momento, o Senhor nos presenteia com outras pessoas para que não nos sintamos sozinhos e desamparados.

Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer a minha cama na sepultura, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. – Salmos 139:7-10

Melhor é serem dois do que um, […] porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois caindo, não haverá outro que o levante. – Eclesiastes 4:9,10

Nós amamos cantar músicas dizendo que estamos vivendo para Cristo, mas mal conseguimos olhar para quem está do nosso lado. Se Cristo é tão maravilhoso assim, por que eu não consigo levar ninguém até Ele? Chega um momento nas nossas vidas em que se faz necessário parar e se perguntar “quando foi a última vez que eu preguei para um amigo?” e esse momento chegou. E pregar por compromisso, por lealdade e apoio. Pregar com envolvimento pessoal. Tudo isso é pregar com fé.

Pense bem na última vez que você levou um amigo até Jesus. Estou certa de que não foi uma experiência em vão e ouso dizer mais: tenho certeza que você se sentiu completo ao fazer isso. Porque nós todos fomos criados para isso, sabe? Para transbordar o amor. E, apesar do sistema incrivelmente desumano em que vivemos hoje que dita o nosso valor pelo o que fazemos, produzimos e possuímos, Deus nos valoriza pelo o que somos: finalmente, amigos.

Um pastor muito querido me disse uma vez que nós não pregamos para desconhecidos, pregamos para amigos, e que essa é uma das maiores estratégias para evangelizar outras pessoas. Quando criamos um vínculo de amizade, o outro tem menos portas fechadas para nós. É quando conseguimos sua atenção e a sua consideração, quando nos conectamos, que o Evangelho tem seu verdadeiro efeito.

No final das contas, Jesus não apenas me salvou da morte e redimiu os meus pecados, – e essa é a parte mais linda – Ele também me trouxe de volta para casa. Jesus me transformou em parte da sua família. Não mais inimiga de Deus.

Ter amigos fora da nossa fé é importante, significa que não vivemos numa bolha legalista, achando que apenas nós somos merecedores do perdão de Deus. Mas não devemos permanecer inertes em relação a essas pessoas, devemos buscar refletir a luz do céu constantemente na vida diária de modo que seja um convite a conhecer a Verdade que nós conhecemos.

Mas quero dizer algo que minha mãe sempre diz e que eu venho experienciando cada vez mais na minha vida cristã. Ela diz que a igreja é uma família muito mais “nossa” do que qualquer familiar ou amigo próximo que possamos ter lá fora. Veja quão livres e seguras as nossas crianças são quando estamos num acampamento da igreja. A tranquilidade em que os pais permitem que elas saiam e brinquem por aí, que elas conversem com pessoas que, às vezes, nunca viram antes. Esse é o exemplo mais simples e concreto que mostra o que realmente significa ser um em Cristo.

Quando estamos com os nossos irmãos, com os nossos amigos da fé, nós estamos em casa, livres, seguros, sabendo que podemos contar uns com os outros para qualquer imprevisto, desde uma pressão baixa até uma manga de vestido que se rasga. Quando estamos com esses amigos, podemos vencer as crises mais internas e individuais, não porque existe poder em nós, seres humanos, mas sim porque existe Alguém muito maior que dirige os nossos caminhos e que nos sustenta através da fé manifestada na vida das pessoas que nos rodeiam.

Olhe ao seu redor. Essas são as pessoas que você precisa levar para o céu, são os seus amigos.

Durante a preparação para essa mensagem, eu vi, mais uma vez, o quanto Deus me ama, porque, em cada verso, em cada reflexão, eu pude ver a minha melhor amiga. No ano passado, eu não consegui a vaga no emprego que eu queria e isso foi desolador para mim. E eu me lembro de comentar com a Kevllyn sobre isso e ela me disse que iria orar para que Deus cuidasse dessa área da minha vida. Ela orou pelo meu emprego, eu orei pelo dela. No começo desse ano, eu consegui um estágio num escritório maravilhoso, a minha chefe e as minhas colegas são todas tementes a Deus, é um ambiente tranquilo e aprendo muito mais lá do que aprenderia no outro emprego que eu procurei. Foi o resultado da oração.

E antes de vir para Goiânia, nós tivemos uma confraternização de fim de semestre no escritório e eu postei uma foto do bolinho de limão com a legenda: “amo viver as minhas orações”. Definitivamente, meu coração não estava preparado para o que viria. A Kevllyn respondeu o story dizendo: “e eu amo ver você vivendo as suas orações”. Quando eu li aquilo, me emocionei imediatamente, porque percebi que eu estava vivendo uma oração muito maior e mais antiga.

Há dois anos, eu não tinha nenhum amigo próximo, nem na igreja nem fora dela. Eu orei e pedi que Jesus me apresentasse alguns amigos dEle e não demorou uma semana para que eu conhecesse a Kevllyn. Nós viramos a noite falando das nossas experiências com Deus, viramos melhores amigas e dividimos tudo agora, principalmente a nossa fé. Lembro de estar no lugar do paralítico e da Kevllyn me levar até Jesus. Ainda hoje, existem certos assuntos que eu tenho muita dificuldade de lidar espiritualmente, de orar mesmo. Tenho tentado orar sobre isso, mas é tão sofrido, tão difícil… e quando eu falei para ela que estava desistindo, ela me cortou antes mesmo de eu terminar a frase, dizendo: “ahhh não vai desistir, não! Tá achando que eu tô orando em vão, que eu tô orando para o vento? Vai dar certo e eu tenho fé que vai acontecer até muito melhor do que você imagina, porque Deus é Pai e Ele sabe o que você precisa”.

Ela fez o impossível por mim que, naquele momento, era orar. Ela fez a mesma coisa que aqueles amigos fizeram. Ela subiu na casa, abriu o teto e falou “eu tenho fé” e me colocou na presença de Cristo.

Irmãos, é assim que nós lutamos. É assim que vencemos as nossas guerras. É escolhendo quem está na linha de frente ao nosso lado, mas também é estando na linha de frente ao lado dos nossos amigos. Grande parte dessas batalhas recebem vitória porque existiu alguém com o joelho no chão erguendo clamores com a mesma fé com que fomos salvos. É de fé em fé, de uma amiga para vocês, os meus amigos, que eu encerro esse momento dizendo: eu quero muito dividir o céu com vocês.

Que o Senhor nos conceda essa graça.

CWU – Come With Us

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